segunda-feira, 17 de setembro de 2007

STRESS PÓS FÉRIAS





Como cada ano, quando chega Setembro, não se fala de outra coisa que o chamado stress pós férias.

Depois das liberdades de horários que as férias permitem, o regresso à rotina laboral é acompanhado de abatimento, tristeza, angústia ou irritabilidade.

Calcula-se que 30 % da população activa sofra desta disfunção.

Esperamos todo o ano a chegada das férias, preparamo-las com a ilusão própria de cada um ou simplesmente pensamos que temos um mês, diante de nós para fazermos o que nos der na real gana.

Não importa se decidimos ir de viagem ou ficar em casa, fazendo umas escapadelas ao campo ou à praia.

Quando dermos conta as férias desvaneceram-se e temos de regressar ás nossas responsabilidades laborais.

Para muitos, este é um momento difícil.

Talvez a causa do stress pós vocacional se encontre no trabalho, que não nos está a oferecer a satisfação e realização que necessitamos, para nos sentirmos plenamente nesta vida.

Como é que não nos vamos sentir tristes quando estas terminam?

Se já é difícil começar cada segunda feira, depois de um fim de semana, vejam qual não é a dificuldade, depois de três ou quatro semanas de descanço.

Geralmente, depois de incorporarmo-nos no trabalho e passados uns dias, tendemos a habituarmo-nos à vida laboral e este estado de abatimento e tristeza desaparece à medida que vamos assumindo as nossas responsabilidades.

Mas quando a nostalgia de férias se prolonga mais de duas semanas, os psicólogos falam do sindroma pós férias que não é outra coisa que um simples desajuste de hábitos de vida.

O sindroma pós férias não é mais que outro dos sintomas que nos mostram que a nossa civilização também está doente.

De facto o sindroma pós férias, a depressão ou a anorexia, para citar algumas das enfermidades de mais rápido crescimento, só se manifestam nos países com melhor bem-estar.

Nenhuma destas enfermidades se desenvolve entre os mais desfavorecidos, dos chamados países pouco desenvolvidos do oriente, nem nas favelas de S. Paulo, Rio de Janeiro, ou nos bairros de lata de grandes cidades europeias.

Ali, seria mais indicado falar do stress laboral que se caracteriza pela angústia e o desânimo que se produz por não ter que comer ou carecer dum futuro vital.
Mas claro, há quem pense que isto não é Calcutá ou Hanói e o que ocorre ali não deixa de ser um dado que corresponde a uma realidade diferente.

Que a precaridade laboral, o excesso de responsabilidade, a má relação com os chefes ou com algum companheiro, tornam muito difícil trabalhar com entusiasmo, quando acabamos de experimentar que existe outra realidade, ainda que transitória, que chamamos férias.

O stress pós férias é uma questão de readaptação à normalidade e isto é mais difícil na medida em que o nosso trabalho não nos satisfaz.

As férias podem ter sido um período muito gratificante, mas não é o habitual.

A realidade quotidiana inclui a vida laboral que é a que difinitivamente nos permite fazer férias .

Provavelmente o que nos mostra o stress pós férias é a insatisfação, a precaridade ou o esgotamento que nos produz uma situação que não nos compraz, mas que cremos que não temos outro remédio senão vivê-la.

Penso que é importante, se sofremos de um forte sindroma de stress pós férias, reformular como podemos levar a cabo mudanças laborais numa nova direcção, para chegar a realizar algo de que gostamos.

Façamos o que façamos, as férias são um tempo transitório, o duradouro é o trabalho.

A nossa vida tem dois aspectos, um laboral e outro vocacional e ambos os aspectos devem aportar numa realização.

O QUE PODEMOS FAZER PARA SUPERAR O SÍNDROMA?

As férias não são uma solução dos problemas laborais.

Se há dificuldades no trabalho é importante solucioná-los.

O período estival não é uma permissão, nem o trabalho um cárcere.

São dois aspectos de uma mesma realidade, um faz possível o outro.

● Divide a tua férias, assim poderás desligar-te mais do que uma vez por ano

● Assegura-te que durante as tuas férias terás tempo para descançar.
Umas férias agitadas em que faças muitas coisas, podem acarretar um esgotamento

● Planifica regressar a casa um par de dias antes de terminarem as férias. Aconselha-se um regresso progressivo.

● Os fins de semana depois de férias são importantes para criar novas ilusões.
Planifica realizar actividades de que gostes neles.

● O relaxamento pode ser uma boa ajuda para superar o regresso ao trabalho, como é, também, manter uma boa rotina nos horários das refeições e dormidas.

● Faz algo de novo; inicia um novo estudo, começa a ir ao ginásio ou incluso umas sessões de massagens, podem ajudar-te a recuperar de novo o tónico vital.

● Mantém na mente uma atitude positiva e de agradecimento.

Na nossa sociedade muitos permanecem sem emprego.

Os que o temos, devemos agradecer porque fomos seleccionados para este posto à custa de muitos que foram rejeitados.


3 comentários:

Silvana disse...

É incrível pensares que em lugares como São Paulo ou Rio de Janeiro não exista estresse pós férias. Eu moro em São Paulo e cada vez mais sofro disso. Tenho dois empregos e não tenho forças para trabalhar. Aprontei-me hoje de manhã e tive uma crise de choro. Não quero ir ao meu trabalho. Não me sinto motivada.

xistosa - (josé torres) disse...

Silvana

Primeiro que tudo.
Só hoje vi o comentário.
Não sei utilizar o e-mail para receber as mensagens e não necessito.
Não censuro nada do que escreverem, mesmo que sejo insulto.
Procurei, mas não consegui encontrar a "casa" da SILVANA.

Talvez ela volte.

O "estresse" pós-férias é uma forma que a mente tem de encarar o início de mais um ciclo de trabalho.
Acredito e tenho a certeza que este estresse é universal.
Em S. Paulo, no meu Porto, no Japão, ou no Canadá.

O trabalho, quando o há, é um complemento imprescindível para a vivência e convivência.
Já não falo do suporte de vida que é receber um salário para nos mantermos vivos.

Mesmo com muito dinheiro, nunca teria deixado de trabalhar.

A vida não pode ser só lassidão.
Temos que colocar em funcionamento todos os músculos para não se atrofiarem.

É tudo.
Um abração deste lado da margem do grande "rio" que é o Atlântico que nos une.

Rini Luyks disse...
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