segunda-feira, 28 de abril de 2008

FOME


NÃO É A FOME QUE MATA

É O TEMPO DA FOME QUE NOS VAI MATANDO

É O SILÊNCIO NA DESCULPA, DOS OUTROS

É A PELE DISTANTE, DOS OUTROS

A OUTRA VIDA QUE NÃO NOS PERTENCE

NÃO É A FOME QUE (NOS) MATA

À DISTÂNCIA DO SOFRIMENTO, DOS OUTROS

SÃO OS OUTROS, AQUELES QUE CARREGAM A FOME

A NECESSIDADE, DOS OUTROS

AQUELES QUE SÃO, OS OUTROS COM FOME

PEDINDO

OUTROS

OUTRO

OUTR

OUT

OU, OS (OUTROS)

(AQUILO DA FOME…)

(Desenho de José Pádua e texto de Eduardo Nascimento)











Os que acreditam na Divina Providência e dizem, "Deus Providenciará", estão convencidos de que neste planeta suburbano há alimentos para todos.

Atribuem o terrorífico feito de que dois terços dos seus habitantes não podem fazer habitualmente a digestão por causas diversas, que também deviam estar previstas, como o egoísmo, a ambição e a torpeza.

Bem distribuídos ou, pelo menos, medianamente distribuídos, haveria para todos, ainda que agora sejamos muitos mais que nos míticos tempos de Adão e Eva, que nunca pensaram constituir uma família tão numerosa.

Tão-pouco o sub director geral da FAO, o catalão, José María Sumpsi, havia calculado que o número de presumíveis comensais seria tão numeroso.

A crise de alimentos é segundo ele, o maior desafio que já enfrentou a sua benemérita instituição.

Desde a catástrofe, que vi, (via TV), na Índia, faz trinta anos mais ou menos, não confundo a fome com o apetite.

Então, morriam de inanição uma 25.000 pessoas diariamente, mas agora algo mudou nestas coisas.

Naquele tempo havia crise alimentar porque não havia alimentos.

Agora na Índia, na China ou na Bolívia, o que querem é "comer filetes".

Uma legião inumerável de esfomeados sonham com um "entrecot" como adequado substituto das "tortitas" de milho ou arroz, que apesar de serem órfãos vão de branco.

A Organização para a Agricultura e a Alimentação, pensa que são os preços das matérias primas os culpáveis deste novo "tsunami" que assola 53 países.

Antes, as crises alimentares deviam-se a catástrofes naturais, que nos confirmavam que a Mãe Natureza tem muito mau feitio, mas agora os responsáveis são os bio-combustíveis.

Como queixar-se da crise portuguesa sabendo que 100 milhões de pessoas passam fome?

Só há uma maneira: negar-se a ser cidadão do mundo e continuar sendo cadavez mais, um do nosso povo.


3 comentários:

AJO disse...

Acredite que só de pensar me dói o coração... e ainda dizem que o coração não dói...

xistosa disse...

ajo

Dói e não são os "males de amor" as piores dores.
A fome, deve "doer" muito mais.

Angela Ladeiro disse...

E eu meu caro, tenho sempre muita fome. Pelo menos são sete refeições por dia. Estou a gastar as reservas do planeta! Já agora quero dizer que alguns dos seus blogs são demais!!!!!!