


Por isso, dedicam-se a assaltar nesses paraísos dourados que há nalgumas cidades onde se agrupa o esplendor.
Não acredito que haja mais ladrões que nunca, por metro quadrado: é que eles sabem eleger os seus territórios para tornar mais rentáveis os seus redondos negócios.
Alguma vantagem teriam que ter os pobres: nas zonas suburbanas, lá, onde as cidades perdem o seu nome, a principal preocupação dos seus povoadores não é estabelecer os adequados sistemas de alarme.
Tão-pouco dispõem de escoltas, nem de guarda-costas.
Claro que debaixo dos telhados de fibrocimento não se costuma cobiçar obras de arte, nem jóias de ilustre genealogia.
Os que estão expostos ao saque são os ricos de solenidade e há que reconhecer que isto também é injusto.
Poucos encapuçados irrompem por qualquer gasolineira, banco ou joalharia e levam, não só o que encontram à mão de semear, como o que está mais oculto.
Terão encontrado em Portugal um paraíso, os delinquentes?
Creio que esse achado vem de longe e a única coisa que mudou foram os modos.
Não é a mesma coisa, entrar numa repartição de urbanismo, com uma pasta plana, desenhada só para o transporte de documentos e linguados, que entrar à mão armada numa mansão ou numa joalharia.
Já nos havíamos acostumado aos roubos com a ponta duma esferográfica ou algo semelhante, mas escandalizamo-nos com os roubos à mão armada e difunde-se o alarme.
Quase todos, sem excepção, com a excepção dos que pertencem à vara, ou vivem perto dela e da gamela, devíamos gritar bem alto a proliferação dos roubos legalizados por leis hilotas, que conduzem à mesma decomposição.
Portugal deixou de ser uma empresa comum, mas nestas alturas do ano, há muitas "comidas" de empresas.
Bom apetite!
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