domingo, 1 de março de 2009

ENTÃO ATÉ AO PRÓXIMO POST

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Não vou escrever muito.

Simplesmente vou deixar de aparecer por aqui.

Na vida temos momentos em que, os dias e as horas custam a passar e outros ... em que somos ultrapassados.

Eu fui-o.

Quando o tempo me der tempo, talvez dedique algum tempo ao "ucometa".

Mas o mau tempo, impede-me de continuar.

Não vou agradecer, nem me despedir de ninguém.

Ninguém morre.

Continuaremos por aí.

Eu mudo-me, ou melhor, continuo AQUI.

A frase que sempre antecedia o post, apanágio desta casa, hoje manter-se-á.

Maior ou enorme, como é a obra, da curta vida, de Clarice Lispector.

É só uma singela homenagem.

Então, talvez, até já !!!

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- Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la.
Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria.
É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais.
Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere.
Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama.
Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo.
Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos.
Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.
P.S.
Não se precisa de prática.
E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros.
Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

(
Clarice Lispector (1920 - 1977), escritora brasileira de origem judia nascida na Ucrânia.)

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PLANETA na LAMA !!!

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Se caísse neste bagunçado e desengonçado planeta um marciano, desses que os antigos livros de quadradinhos representavam como malévolos bonecos verdes e nervosos, custar-nos-ia muito trabalho explicar-lhes o intrincado sistema financeiro terrícola.

Agora tudo acode à Banca para a socorrer, para que ela, por sua vez, nos possa prestar socorro.

Trata-se de que, tenham muito dinheiro para que possam deixar-nos algum, já que todos sabemos que os bancos, que são catedrais da nossa época, são lugares onde não nos emprestam dinheiro se não somos capazes de demonstrar que temos uma quantidade superior à solicitada.

Ficam longínquas aquelas palavras de Bertold Brecht, que estava convencido de que só há algo pior que assaltar um banco: fundar um banco.

Hoje, se ocorresse a alguém assaltar um, exigir-lhe-iam que depositasse nele uma importância integralmente igual ao roubado.

As entidades financeiras do grande e largo mundo, já despediram mais de 350.000 empregados nos últimos tempos, segundo dados da Organização Mundial do trabalho, mas teme-se que esta cifra se vá acrescentando à medida que o capital das instituições se vê mais sitiado pela recessão.




O novo plano para revitalizar a banca, que nos EUA entrou em vigor há dois ou três dias, é muito discutível: uns, são partidários de injectar mais capital e outros de encerrar o negócio.

Quem não sabe gerir a tasca, encerra o negócio.

Entre nós também não estão muito claras as coisas e o ministro das finanças afirma que o estado está preparado para intervir na banca.

É curioso que quando as coisas vão mal numa nação, mais se fala em nacionalizações.

Talvez seja prematuro falar do termo “corralito” (*), ao estilo argentino, mas que diabo, não é motivo para perguntar, como Valle Inclán (**), que seria deste “curralão” sem sol.

É que já sofremos nas carteiras, há uns bons anitos, que para não irmos tão carregados para a “estranja”, só nos deixavam levar dinheiro para tabaco.

A comida seguia na marmita e nos bolsos das calças, ou no forro dos casacos, as notas para comprarmos a ilusão que nos faltava por cá.

Foi nessa crise de dinheiro, que não o havia, que saíram milhões e milhões de contos, à procura de outros sóis para corarem.

Em tempo de crise há sempre fartura para alguns!



(*)
“Corralito” foi a denominação que a população argentina deu à proibição de levantar dinheiro a prazo, em contas correntes e nas caixas de aforro, imposta pelo governo de Fernando de la Rúa, em 2001.
Esta foi a medida para evitar a saída do dinheiro do sistema bancário e lograr lucros especulativos para os bancos.

(**)
Ramón del Valle-Inclán, 1869/1936, ou comumente, Valle Inclán.
Não é uma tarefa fácil resumir a sua obra nestas breves linhas, pois para além de dramaturgo, narrador e poeta, desenvolveu também uma intensa actividade no âmbito da cultura, da sociedade e da política hispânicas.
É tal a repercussão e o interesse pela sua obra e também pela sua vida, que são inúmeros os investigadores de todas as partes do mundo.


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