sábado, 1 de novembro de 2008
UMA AVÓ DOENTE
Obama no HawaiMaCain, criticou o método do seu rival para alcançar donativos, já que o mês passado conseguiu 150 milhões de dólares e Obama está a desmontar subtilmente a lenda histórica do candidato republicano.
Já que nos regimes democráticos estão proibidos os golpes de Estado, ambos se conformam em darem golpes baixos.
Não param, nem nas tascas, nem sob o luar.
Há que ganhar a todo o custo.
Um recorda que o seu adversário é velho, como se pudesse ocultá-lo e o outro insinua que o seu oponente é negro, como se isso não saltasse logo à vista.
A melhor estratégia parece-me que está a resultar a de Obama, que se prepara para os últimos assaltos.
Suspendeu a campanha para visitar a sua velha avó que está doente.
Ninguém pode negar que não tem um bom coração, nem tão-pouco um bom sentido de oportunidade.
Conseguiu comover, inclusive grande parte do eleitorado, que ignorava que Obama tinha avó.
Obama "apanhando a onda" em Sandy Beach, HonoluluA verdade é que ambos os esforçados aspirantes, o de branco e o de epiderme escura, esgotaram os procedimentos tradicionais.
Ambos pronunciaram dezenas e dezenas de discursos, visitaram orfanatos, beijaram anciãos com muito mau uso e ajudado a atravessar calçadas e ruas a cegos, incluídos os que não tinham tal propósito e ofereciam resistência.
A coisa estava desnivelada, mas competitiva.
Creio que com o seu gesto, que todos qualificariam de íntimo, como costuma fazer-se noutros casos, Obama, inclina a balança a seu favor.
Ninguém pode exigir a McCain, na sua idade, que disponha duma avó, que esteja doente a pobre senhora e viva no Hawai.
Para tudo há que ter sorte.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
MUDEMOS de TERRA !!!
O presidente e conselheiro delegado da Fundação XPrize, que tem uma "irreprovável cara de pessoa normal e corriqueira, é diplomado em genética molecular e engenharia espacial, o que é menos normal e menos corrente.
O sábio acaba de vislumbrar para a Humanidade um porvir encantador, mas desgraçadamente fora do planeta Terra. "
"O homem desenvolver-se-á no espaço !", disse.
Como em casa de um qualquer ou em nenhuma parte, mas a verdade é que aqui as coisas estão a pôr-se muito difíceis.
Há talibãs por todos os lados, alguns impecavelmente vestidos para toda a semana.
Triunfam os três maiores inimigos dos terrícolas:
- a crueldade,
- a ignorância e
- a miséria, que pelo que me parecem, são imbatíveis.
Os sucessivos deuses inventados pelos efémeros habitantes mostram-se complacentes quando se invocam, mas declararam que não são intervencionistas.
A sua neutralidade é absoluta e ouvem as preces como quem ouve chover e não dá ordens concretas ás nuvens.
Visto que este lugar deixa muito a desejar para uma altíssima percentagem dos seus inquilinos, parece que o futuro está para além ou mais acima do tecto das águias.
Sempre se reprovou as grandes potências, que são as únicas que se podem meter nestes gastos, o esbanjamento que supõe a conquista do espaço.
Enviar uma bandeira à Lua ou uma cadela chamada "Laika" custa um dinheirão, mas talvez exista a intuição colectiva de que chegará um momento em que não seja possível a vida aqui em baixo.
Alguns teólogos e outros escritores de ciência-ficção, já o tinham previsto.
Será necessário acondicionar outros planetas, como nos relatos de Ray Bradbury.
Os construtores, que já não estão a passar pelo seu melhor momento, depois de largas épocas de esplendor abusivo, serão os primeiros a acompanhar os astronautas.
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
ECONOMIZAR economizar ! ! !
As obras de caridade com os bancos diminuem ostensivamente as obras públicas.
Os distintos governos, que nunca são tão diferentes, tramam uma "refundação do capitalismo".
Nós portugueses já temos uma ideia aproximada do que consiste a operação: cada vez há menos gente que come camarões e mais que partem para as vindimas em Espanha e França.
Nós que também não sabemos muito de economia sempre contamos com dados certeiros: a crise restringiu os gastos da compra e aumentou o tempo que passamos diante dos televisores.
Faz-nos falta sermos uns "experts" em sociologia, desses que não sabem o que se vai passar na sociedade até que ocorra, para se darem conta do que se está a passar.
Temos que nos acostumar a viver com menos.
Já sabemos que há uma boa vida - peço que não confundam com vida boa - mas que é cara.
Também há outra que é mais barata, mas na opinião de muitos não é vida.
O que se irá passar quando os Governos se cansarem de injectar milhões de euros para manter a bagunça do antigo embuste?
O dinheiro acaba, mas o embuste deve continuar.
O chamado "capitalismo de Estado" de Gordon Brown, desperta muitas adormecidas esperanças, mas sobretudo entre os capitalistas.
Como será a nova arquitectura financeira mundial?
A maioria de nós conformamo-nos com que, os escombros da actual, não nos caiem em cima.
Estamos em vésperas de grandes mudanças, mas desditosamente, a alguns, não nos vai dar tempo a presenciá-las.
Por outro lado, que é o lado que nos calha, tende a dar-se um mal-entendido que confunde a palavra mudança, com melhoria.
Não é certo.
Há muitas coisas que mudam para pior.
O contrário do mau, nem sempre é o bom, como insistem em proclamar os nossos políticos.
Pode ser "mais mau" do que antes.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
PODERES NEFASTOS
As paredes impávidas não só ouvem, como contam.
Como se pode ser tão tonto para acreditar que os microfones se calaram?
Se falham as caixas automáticas, os tratados, as relações internacionais, incluso as "cacholas geniais", mas esses artigos continuam a funcionar sempre.
Registam tudo, promessas não cumpridas, incluso a necessidade de registar a propriedade.
Até registam, vejam lá, o snr. Luís Filipe MeneZes, médico, que já foi o que agora quer ser à socapa, como qualquer bicho canino que nos morde nos calcanhares.
Pela boca morre o peixe mais tonto e estúpido do anedotário português de políticos.
Que ninguém procure desculpas, nem chame descuido ao microfone encerrado, ás páginas mal escritas dum qualquer folheto e ao cérebro aberto.
Naturalmente que os actos e as palavras são mais aborrecidos, quanto mais solenes o pretendente pretende que sejam.
Pelo ecoar das suas palavras, para ele, deveria durar menos o reinado de Manuela Ferreira Leite, do mesmo modo que um orgasmo deveria durar mais.
O tempo que é o nosso alimento, está mal graduado.
Oxalá fossem mais breves os trajectos em elevadores com desconhecidos e mais longas as subidas pelas escadas, está claro que o são mais emocionantes os encontros de amor.
Mas as coisas são, como são e não se deve ofender, depois de ter andado lá pelos cumes da casa, quem tem a linhagem mais sacrificada e é a mais leal e mais decisiva, que os aborígenes iguais ao snr. MeneZes, médico, têm.
Talvez fosse melhor ir tratar-se, ser MeneZes, médico.
As suas palavras são muito torpes e muito obcecadas, desculpem a redundância e têm que ser os que crêem que um senhor assim os poderia subjugar nas próximas eleições.
Que esfreguem as mãos pecadoras os que aspiram a substituir quem está neste momento.
Atraiçoá-lo-ão, como ele atraiçoou e atraiçoa o seu subconsciente.
