domingo, 19 de outubro de 2008
VAMOS INDO
Aprende-o!
Flores, da Banca do que vai de ontem para hoje, que anteontem foi uma maravilha e passado o amanhã, voltará a sê-lo.
As Bolsas aplaudem o plano de resgate, que teve um êxito sem precedentes, já que se ignoram as consequências.
Só as velhas ricas, como a Europa, ainda que vinguem menos e tenham tido de prescindir do serviço, são capazes de gastar 2,5 biliões para salvar a situação.
Depois da "sexta-feira negra" chegaram uns dias resplandecentes.
O Euronext ou Psi20 de Lisboa e o Don Jones são uma feliz parelha, já que Portugal destinará um saco fechado, supondo todos, que com milhares ou milhões em dinheiro, quero dizer euros em avales, só até ao que resta para o fim do ano ou até ao fim de 2009.
Vai depender..
Depois haverá mais festejos.
Passámos do poço mais sinistro ás cúpulas mais celestes, que segundo Rubén Dario (*), o azul celeste e não o verde é a cor da esperança.
A "couraça" da Banca representa muito próximo dos 15 % da presumível riqueza nacional.
O dinheiro virtual "corre que se pela", talvez para ocultar os seus vícios.
Agora verificamos que a isso se resumia os nossos naufrágios, o nosso desemprego e os nossos terrores do futuro.
O dinheiro, que tem uma vocação de vagabundo, fez-se sedentário.
Perguntei um dia a alguém que o tinha em grandes proporções, para que lhe servia tanto dinheiro e ele disse-me que era só para uma coisa: para não ter problemas de dinheiro.
Era um indivíduo muito mais velho do que eu e bastante doente.
Exerceu a misericordiosa obra de ensinar a quem não sabe e me explicou que ele tinha muitos problemas - temia ficar cego, perder algum filho -, mas não tinha nenhum problema de dinheiro.
Os nossos acabaram-se por uns dias.
Não o poderemos gastar ás mãos cheias, porque as teremos ocupadas a aplaudir o plano de "salvação da Banca".
A Bolsa está a salvo, de momento, que são quatro dias e dois deles chovendo.
Quase sempre em redor dos pântanos.
(*)
Ruben Dario, (1867 -1916 ) , grande poeta nicaraguense
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
SOCORRISMO ! ! !
Há que ajudar a banca, que calculou mal os nossos lucros, e estes estão pondo-a em perigo.
Nós os pobres, devemos ser solidários com os manipuladores do nosso dinheiro, já que, se este lhe falta, não poderão emprestar-nos o que era nosso, com os devidos juros.
Como não acudi-los no seu exílio?
Se não nos apressamos para socorre-los, vão passar muito mal, já que não se socorrem uns aos outros.
A gente normal e corrente, que é a que está acostumada ás anormalidades dos bancos e tem muito pouco dinheiro na sua conta corrente, deve fazer um sacrifício para salvar os grandes accionistas, que tanto contribuíram para a grandeza do país.
Contem connosco.
A Europa abre o leito à nacionalização dos bancos, ainda que lhe chamem a isso outro nome para evitar antigas ressonâncias.
A reunião de Paris, que está a níveis subterrâneos, acordou um plano de resgate financeiro, mas cada nação deverá arranjar-se como puder, incluindo as que não têm conserto possível.
Trata-se de salvar o sistema, que é absolutamente necessário até que inventemos um melhor.
O barão Guy E. de Rothschild que algo deveria saber do assunto, dizia que, um banqueiro é um homem que empresta a outro o dinheiro de um terceiro.
Parece-me que esse terceiro homem escasseia.
Os bancos não emprestam dinheiro uns aos outros porque chegaram a conhecer a técnica dos seus mecanismos internos e não confiam uns nos outros,
Todos temos a obrigação moral de devolver a confiança a essa gente em quem nunca confiamos.
Vamos lá em socorro das grandes instituições.
O que seria dos fieis se se afundassem as grandes catedrais da nossa época, que são os bancos?
A quem rogaríamos para podermos pagar as nossas hipotecas?
As nossas preces sempre devem ter um destinatário e por agora não há outro.
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