sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O BOXE da VIDA

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Joyce Carol Oates


A vida é um desporto terrível, ainda que não esteja muito claro que seja um desporto.

Quando Joyce Carol Oates, escreveu o seu livro sobre o boxe, (Del boxeo - em espanhol, não sei se foi publicado em português), tratou do que é ser pobre e obstinado e sobretudo o que é saber triunfar.

Obama, à margem de que reclame unidade e alianças, temos que inscrevê-lo na lista dos maiores campeões.

Como Larry Holmes, que foi um dos últimos monarcas dos pesados, ele pode dizer:
"é duro ser negro. Alguma vez foste negro? Eu fui negro uma vez, quando era pobre".

Obama deixou de ser negro porque é o presidente dos EUA.

O salto qualitativo que se deu com ele, transborda todos os "rankings".

Vai mais além do que Joe Louis e Martin Luther King.

Muitos confiaram a sua redenção no último momento, antes do tempo, mas não a desoras e outros, muitos, já o tinham feito anteriormente.

Conta Luther King, num linchamento de um negro, que como não tinha nada nem ninguém a quem encomendar-se, rezava ao Bombardeiro de Detroit: "Salva-me Joe Louis, salva-me Joe Louis".



Joe Louis

Até há pouco tempo os homens e mulheres de epiderme escura só tinham duas tábuas de salvação: a tábua das tarimas do jazz ou a madeira do ringue.


Amanhece um tempo novo que não sabemos como será quando caia a tarde, nem quando caiam os preconceitos não inteiramente derrotados.

(As desigualdades tremendas continuam no mundo amplo e alheio e para comprová-las não é necessário ir longe: basta ver o nível de salários em Lisboa e os do Porto, onde em tempos nasciam os deuses).

Parece-me que o combate pela racionalidade, continua, ainda que estejamos num assalto diferente.

Isto de construir uma alma leva o seu tempo e é cedo para saber se as eleições constituíram um passo adiante, mas alegremo-nos gentes de todas as cores.




Larry Holmes

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