quarta-feira, 28 de maio de 2008

JUÍZ JULGADO




Nem paro para discutir se o comentário do presidente da Audiência de Barcelona, José Luis Barreros, foi especialmente inoportuno e o que é pior, é que não me "aquenta nem me arrefenta".

Pois o bom homem, não vai de modas e antes de perguntar a um marido, se nunca tinha tido ganas de matar a mulher, deveria ter antecipado outra interrogação, igualmente válida, mas ninguém pergunta ás mulheres se nalguma ocasião tiveram o desejo de matar o seu marido.

Bem.

Dito isto em primeiro lugar, em segundo, digo que a histérica reacção me parece absolutamente excessiva.

Aqui do longe, quero defender o senhor José Barreros, que aliás não conheço, nem desejo conhecer.

Não podem anular-se os méritos de uma carreira que pelos vistos, os seus colegas, consideram, "impecável e intocável", por ter dito algo inadequado.

"A graça que se quer ter, prejudica a que se tem" e este senhor, que pelos vistos teve uma admirável trajectória profissional, ainda que não possua nenhuma das duas, mas não deve ser julgado tão duramente por permitir-se a uma "brincadeira".

A Espanha, tal como nós, são dois países muito orgulhosos e muito sérios.

O humor, em ambos, ofende, mas em alternativa toleram-se as anedotas.

Tenho por hábito dizer que a anedota tem mais parentesco com as cócegas, que fazem rir bruscamente, que com essa amarga e salvadora situação que propicia o humor, que é algo indefinível, como é evidente.

Se qualquer suave chasqueio com uma vitima feminina se considera uma agressão do género, o seu autor tem a hostilidade de meia humanidade.

Não se poderia estrear uma obra de teatro chamada, " O caso da mulher assassinada", nem Groucho Marx teria podido dizer que todos os maridos estariam ansiosos por chegar quanto antes à noite, a sua casa, se não soubessem que há uma mulher esperando-os.

Não exageremos.

Os espanhóis vão julgar um juiz com um pouco de piedade.

Só espero que os espanhóis não sejam tão susceptíveis nem tão transcendentes, nem tão espanhóis nem tão espanholas, como seriamos, absolutamente infalíveis, nós, tão portugueses e tão portuguesas.


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Leia a notícia aqui:

http://www.abc.es/20080516/sociedad-sociedad/presidente-audiencia-barcelona-disculpa_200805161824.html



2 comentários:

Angela Ladeiro disse...

Ninguém se atreve a comentar? É porque nem tem comentário possível...

xistosa disse...

Todos temos frases que se podem "soltar" sem querer ... mas devemos corrigir e emendar.
Ele ainda reforçou a alarvidade ... que coerentemente soltou ...