sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

RESUMO DAS CONTAS

Manifestaçãp pela PAZ frente a Copacabana - Rio de Janeiro


Finalmente já não é preciso ir ao futebol para gritar "Livre", "Fora, fora" e "ga-tu-no, ga-tu-no,ga-tu-na ..." (1974)





Quando um ano termina e começa outro, como é obrigação do Tempo, que também não sabemos se tem os seus dias contados, parece que existe a obrigação de fazer um balanço.

Contam-se os mortos egrégios, mas os importantes não são os que mais nos importam.

Há pessoas que nos morrem e pessoas que não nos morrem.

Não é o mesmo.

Pessoas notáveis, quiçá fundamentais e pessoas que constituíam o nosso fundamento.

Agora, nessas contabilidades, sempre subjectivas, ainda que sejamos todos objecto delas, fazem-se estatísticas engraçadas e interessantes.

Quantas pessoas aderiram à última greve geral?

Segundo os que não lhes interessa que a mesma tivesse visibilidade, foram só 20 % mas segundo aqueles que se orgulham do seu afinco, foram mais de 90 %.

Como se podem fazer uns cálculos tão díspares?

Já sugeri, em algumas ocasiões, que o método mais eficaz nestes casos, para contar grevistas ou manifestantes, é somar o número de pernas e dividir por dois.

A única margem de erro deste procedimento deriva do número de coxos que entrem nas contas.

Assisti a poucas manifestações em toda a minha vida, a primeira que jamais olvidarei, na campanha eleitoral do General Humberto Delgado, teria eu 12 anos e ainda sinto soar o eco das palavras de ordem : "É DELGADO, MAS É BOM !!!",
"É DELGADO, MAS É BOM !!!", com um manifestante elevando bem alto um pequeno bacalhau.

A segunda, foi no 1º de Maio de 1974, o primeiro em Liberdade.

A terceira foi junto do Rivoli - Porto, quando Rui Rio, o anti-cultura, queria talvez transformá-lo, numa sede do partido.

Só três manifestações na minha larga vida.

Ou seja.

Saio para uma, a cada vinte anos.

Não é muito andar a menos que me empurrem.

A última, que só a vi através da televisão, não me cheirou muito bem.

Mais que a incenso, o seu aroma era o do rastilho da pólvora.

Veremos ...

1 comentário:

Vieira Calado disse...

As manifestações, você conhece-as pelo cheiro, pelo que vejo.
Os ferreiros e outros conhecem a temperatura do ferro, pela cor.
As estrelas idem. Claro que isso não fica por aí.
Mas não foi preciso ao Aldrin e ao outro terem ido à Lua para saber a Força da Gravidade na Lua.
Sabiam-na antes de lá ir.
Se não a soubessem, tinham partido as costelas ao aterrar...

Um forte abraço.